5 de março de 2011

Viva a vida =)


Eu recebi um texto de uma amiga que dizia que jamais iria esquecer o grande amor de minha vida, que existe outras coisas mais importantes do que sofrer por amor, que existem amigos, pessoas, livros, músicas.... E como dizia o texto: “Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz...” E não é?!

Sabe a tal música que troca a liberdade pelo perdão? Isso existe? Se existe, sinto muito passa outra hora, por que eu não estou para isso no momento. O amor passou. Doeu. Eu sofri. Eu me transformei. Eu me fiz outra mulher. Uma mulher que não esta mais para ser conquistada com pouco, não quero o básico, quero o mais, o mais forte, o melhor. Sim, me tornei exigente. Quero alguém que me tire do sério e me faça enlouquecer qualquer dias desses. Quero alguém que chegue e mostre para que veio. Não quero mais aquela coisa mínima. Eu já fui uma mulher que me contentou com o simples, agora não. Sim, eu mudei. Mudei para melhor.

Não fico mais em casa em uma sexta-feira a noite esperando o príncipe chegar, talvez com um bombom. Não. Eu vou a procura do que me tira o sossego, do que me tira a paz. Isso é loucura? Não. É ser uma mulher decida. Sabe aquelas lágrimas? Foram boas para limpar a alma, para tirar tudo o que me fazia mal, para limpar os olhos e de certa forma para me preparar para enxergar esse mundo lindo que esta ali fora.

Ahhhh... Sabe aquela menina quieta, ingênua, ou que acredita em amor além da vida e que esperava o amor num domingo a tarde para assistir filme romântico? Ela deve estar em algum lugar desse corpo dessa nova mulher. Essa menina romântica, claro que existe, é visível. Até por que isso é uma de minhas características, ser sonhadora. Não, eu não pirei totalmente e não estou “pegando” geral como muitos podem achar, mas, eu aprendi, eu descobri que existe um mundo, pessoas, lugares, e o melhor, existe a necessidade de ser feliz! E é isso que estou fazendo.

Dia 18 completo meus 21 aninhos. Nunca estive preparada para essa idade. Sempre acreditei que com essa idade eu seria uma adulta, séria e careta, como sempre fui. E eu não quero isso, quero ser criança sempre, ter aquele encantamento pelas coisas, entende? Esse ano parece ser o ano das descobertas, revelações, lições, isso da um certo receio. Mas, eu gosto disso, gosto do frio da barriga, gosto da superação. Esse ano eu me formo, eu escrevo um livro, e eu coloco som do meu carro [risos] .

Pois é, esta na hora de crescer. Mesmo não querendo. Pedi pra minha mãe deixar eu ser sua bebezona para sempre e ela deixou. Então resolvido o problema. Virei a mulher que tem a alma de criança. Que se consegue ter sensualidade em um vestido e salto alto, mas que também se joga no chão descalço para brincar. E garanto, é mega fácil ser assim.

Ah quer mais? Vem 2.1. que eu não quero descobrir o que foi preparado para mim. Eu confio em Deus e sei que ele preparou o melhor, por que se ele me deixou aqui depois de tudo, não foi em vão. E sofrer? Isso agora só é conjugado no verbo passado! Passou baby! E o verbo da moda? VIVER!

Quer coisa melhor que estar viva? Não... Só espero que ninguém, mas ninguém mesmo descubra o que eu sinto dentro de mim, por que existem coisas que definitivamente são fora do normal. Carrego em mim a sede de viver e a paixão da descoberta.

Estou pronta para crescer, por mais que tenha pavor. Tem horas q tudo o q pensávamos ser certo, acaba!E ai a gente aprende q a vida é assim mesmo, idas e vindas constantes! E você percebe que isso é bom, que a magia de tudo esta mesmo nos olhos de quem vê e que a viva é sim bela, e que ela esta ai para ser vivida!!! E eu estou tão, mas tão feliz! Aeeee *--*

\o/

Bem vindo março!!!!

1 de fevereiro de 2011

Renovação =)

Eu resolvi fugir e deu certo de alguma forma. E eu aprendi tantas coisas, mais tantas coisas legais, outras nem tantos, mas é sempre bom aprender. Sabe quando você não agüenta mais ficar em casa e precisa de um refúgio e topa tudo? Então foi o que aconteceu comigo e quer saber, faria tudo de novo.

Eu larguei tudo e fui embora para um lugar onde eu não tinha noção de como era, com pessoas que não sabia como agiriam, mas fui. Eu aceitei ir se minha amiga fosse e ela mais louca que eu, topou, colocamos a barraca e o colchão de ar na mala e partimos para a Cidade maravilhosa.

Chegamos e nos deparamos com estudantes no auge da juventude com sede de luta pelos seus diretos, com vontade de lutar por aquilo que é nosso. E eles estavam lá para isso. Deparamos-nos com pessoas de todos os cantos de nosso País. Várias culturas, diversos sotaques, múltipliplas manias, e foi tudo isso que fez de nossa viagem única.

Há exatamente um ano eu passei por uma fase muito louca, e isso é quase literalmente. Não vou entrar na questão, as pessoas que estavam comigo sabem disso. Sei que quero contar que quis acabar com o que eu tenho de mais preciso, a vida. E isso é algo tão banal. Passaram uns meses eu lutei tanto pela mesma, o mundo da voltas mesmo. Pois bem, passou.

E nessa mesma época eu estava trancada em um quarto cheia de medos e anseios e querendo que tudo acabasse, e agora eu estou querendo que tudo comece. Como pode? É a tal sede de viver, eba! Eu acabei de escutar do meu amigo que esse ano é nosso e precisamos aproveitar o máximo dele, e por que não?

Vem 2011, vem com força, vem com energia, com tudo isso que esta vindo, sim... Tudo isso de mais lindo que esta trazendo. Quer saber? Esse ano começou lindo. Começou com coisas boas, com pessoas bonitas, com esperança de ser um ano melhor, e eu acredito nisso, pelo menos eu agarrei nessa esperança e eu quero pra mim isso. E cá entre nós, eu mereço.

Contar um negócio para vocês , eu nunca dei tanto valor a comida da tia, ao colo da minha mãe, ao meu chuveiro com água morna, ao Goofredo(meu carro), a chatice do Tiago, ao dengo da Duda, aos sermões e loucuras da Tia Aninha, as manias do tio Fábio, as coisas hilárias que a vó faz, nossa tantas saudades de casa, eu nunca senti tanta falta do cheiro, do contato do meu canto.

Mas também eu fiz coisas que não fiz durante essas minhas duas décadas, que foram sim bem vividas, no entanto não tiveram coisas como dormir em uma sala de aula de Universidade com um bando de alunos, tomar banho de cortina, sair sem rumo, dormir uma hora por dia, conhecer pessoas de todo lugar, gritar, pular, cantar, dançar, não ter medo de ser feliz. Afinal a vida esta aqui para ser vivida né.

E, aliás, esse ano esta sendo bom. 2010 foi um ano tenso em minha vida e 2011 está recompensando tudo. E olha que só foi um mês, e nesse mês eu aproveitei muito e muito bem por sinal, obrigada.

Vou contar pra vocês, super segredo, sabe quando eu estava lá de cima do Corcovado, onde da pra ver o Rio de Janeiro, que por sinal continua lindo, eu chorei. Chorei feito criança. Fui pro canto, essa foto do post. Chorei por que eu venci, eu não acreditei que estava ali, eu tentei ligar para minha mãe não consegui, não tinha sinal, mas eu senti vida, sim, vida. E não tem coisa melhor que se sentir viva, sentir a vida. Eu que estive por períodos trancados, sem andar, com medo, e perto da morte, eu estava ali diante do Cristo e sentindo a vida como ela é. Juro que não existe palavra para descrever, é magnífico.

E por isso, depois de agradecer e mais tarde viver mais um pouco, voltei pra casa. Eu voltei pra minha realidade, mas eu voltei renovada e que eu continue assim, de bem com a vida, que a vida me traga coisas maravilhosas, por que o bom é ter desafios e conseguir vencê-los!

=)

Bem-vindo fevereiro! \o/

7 de janeiro de 2011

E essa tal pulso hien! ¬¬


Hoje eu disse pra minha mãe que não queria mais fazer essa tal de pulso. Sério. Sabe quando seu corpo pede pra ficar na cama? Não? Eu te explico já já!

Sabe quando você tem planos? Tem uma mente que trabalha demais? Tem sonhos que merecem ser sonhados e colocados em realidade? Sou eu. Mas existe algo que impede que isso aconteça, e pode até ser por período, mas, impede.

Toda vez que fala que vou fazer pulso eu fico com o organismo preparado, parece que meu corpo adivinha que vai receber uma enchente de substâncias capazes de fazer bem à ele, no entanto, que me derruba uma semana na cama.

Isso é justo? Não sei mais o que é justo. Eu não quero mais tentar explicar o que é justo. Por que o justo foi embora e me deixou sem reposta. E estou um tanto quanto indignada. Ah eu cansei de tentar explicar certas coisas, de querer achar respostar para algumas perguntas.

Ano novo chegou e eu quero com renovação. Não que lamentações, entenderam? Por favor, não venha com coisas tristes, venha com aprendizados. Tudo a gente aprende, e uma hora ou outra isso tudo vai virar passado mesmo não é? Eu preciso viver, é de vida que eu preciso. Não sei, mas eu tenho uma sede de vida fora do comum. Eu acho que os últimos acontecimentos ruins me fizeram ficar assim. Estou casada de sofrer, acho que minha cota esgotou.

Essa semana foi tão tensa. Algo me puxava para ficar deitada. Meu corpo não respondia meus comandos, meu estômago resolveu ser meu cérebro e comandar a situação. Tudo estava fora de órbita, tudo fora do lugar. Não sei explicar bem o que foi que deu errado, ou o que deu certo. Mas estava tudo bagunçado. E eu não gostei. E isso acontece toda vez quando eu faço a sessão de pulso. Uma amiga disse “um mal necessário”, talvez.

Mas eu não quero. Só que existe uma realidade. Eu tenho lúpus. E eu preciso conviver com isso e acordar. Se for preciso, mês que vem minha cama vai precisar me aturar, meus amigos vão precisar aturar meus tweets melosos, minha mãe vai precisar empurrar alguma coisa pra eu comer, eu vou ouvir pessoas no mercado dizendo que estou grávida, eu vou ouvir que sou dengosa, que estou chata, que isso e aquilo, e eu vou precisar aceitar né. Ou é isso, ou a cama de hospital. Pois bem. A vida é feita de escolhas, faça a sua e seja feliz.

Enquanto isso eu vou tentando bolar um plano para conquistar o mundo, vencer o lúpus , sair dessa cama, driblar minha mãe pra eu sair final de semana, assaltar um banco, escrever meu livro, acabar com meu enjôo, curar meu coração, e aprender que amor com final feliz só se vê em conto de fadas! E o melhor... Vou armando um plano para ser feliz!!! =)

Bem-vindo 2011! \o/

22 de dezembro de 2010

'Tá' tudo errado ¬¬

Qual é a melhor forma de pedir desculpa para uma pessoa? Sabe... Eu sempre fui uma pessoa orgulhosa, e eu sempre me orgulhei disso. Mas, com o tempo a gente vê que isso não é bom, e eu acho que o nome disso é amadurecimento. E eu fui deixando meu orgulho de lado. E isso é difícil acredite.

Eu ando confusa com certas coisas, apesar de que eu ando confusa com tudo. Anda acontecendo tanta coisa comigo que eu acho que não estou sabendo lidar, e eu estou perdida. Eu queria que alguém me falasse o que vale realmente a pena fazer e o que não é para eu fazer. O que estou fazendo certo e o que estou metendo os pés pelas mãos. E essa segunda opção eu acho que ando fazendo mais.

Eu andei machucando pessoas que não devia. Eu andei me machucando. Eu andei acabando com alguns de meus sonhos. Eu andei realizando outros. Eu andei fazendo tantas coisas que não julgo certo. Outras que queria. Eu andei fora de órbita. Eu cai na realidade. Eu fui pra lua. Eu voltei pra Terra. Eu dei tantas voltas. Mas isso tudo por que eu estava procurando a tal da felicidade. E cadê ela?

Pois é... Tem horas que eu esqueço que ela é apenas um estado de espírito, algo momentâneo e eu no meu súbito egoísta a quero pra mim, quero ela grudada a mim. Sabe assim, pra sempre? Pois é. Eu quero ser feliz! Será pedir muito? Não sei.

No entanto, eu vou levando... Estou em uma confusão, em uma mistura de sentimentos, em uma fase que não sei explicar o que sinto. Sabe quando você chora com qualquer música, até com o “pintinho amarelinho”. É caros... A Aryana esta assim... Se quiser xingar sintam-se a vontade estou super “bixona” mesmo, e um choro a mais não fará mais diferença, afinal, “TA TUDO ERRADO”!

E sim, isso é um desabafo! ¬¬

19 de dezembro de 2010

Sim... Isso é quase um balanço!!! =)


E estamos em dezembro... E eu descobri tanta, mas tanta coisa esse ano que sinceramente eu precisava de mais um ano para contar! Ano passado nessa mesma época eu escrevi em um lugar mais ou menos assim: “...nesse ano eu chorei, eu sorri, fiz amizades, eliminei outras, decepcionei pessoas, mas também fui decepcionada, tive momentos de alegria e de tristeza, mas o de alegria foram mais, baguncei horrores, tirei minha habilitação, coloquei aparelho, amei e desamei meu namorado, mas continuo apaixonada, encarei um centro cirúrgico pela primeira vez e superei,pensei bastante no meu tcc, embora esteja longe e já sei tudo como será, ajudei pessoas a atravessar a rua, mas também fiz maldade com muita gente que não gosto...”

Enfim, eu fiz tantas coisas ano passado né... Mas, eu quero falar desse ano, esse ano que esta acabando e que eu julgo que não foi um ano tão produtivo! Eu estava no estacionamento da faculdade que por sinal estava quase um deserto, e conversando com um amigo que também estava indignado de alguma forma, chegamos a conclusão que o não foi bacana mesmo e ele soltou: “E uns seis meses só por sua conta”. Pois é.

E sabe o que nos restou? Decidimos pegar a estrada e curtir a natureza! E é isso que fizemos no último domingo. Talvez foi uma das coisas mais malucas que fizemos, por que não foi nada planejado com antecedência. Mas, não vivemos tudo que precisávamos, perdemos coisas no caminho, e precisamos resgatar, precisamos de algum modo pegar tudo o que nos foi tirado, de algum jeito queremos tudo, tudo o que é nosso por direito. E sim, como disse uma amiga minha a nossa música do momento é... “Vou deixar a vida me levar, pra onde ela quiser...”, afinal, o que levamos dela é ela mesmo!

E disso eu sei, ou me fizeram saber, ou eu soube sozinha, ou sei lá. Minha mente esta com uma mistura de sentimentos, mas uma mistura de informações, uma enchente de emoções, não da pra passar para um papel, as letras não combinam para formar palavras para definir o que eu sinto.

Esse ano eu perdi tantas coisas... Mas coisas que eu sempre julguei essenciais em minha vida que chegou uma hora que eu me perdi nessas perdas, redundância? Quem disse que não! Aconteceram tantas coisas patéticas esse ano, que eu não queria nem comentar, mas eu sinto que existe essa necessidade de falar, algo me diz que eu preciso ao menos tentar extravasar.

Eu me submergi na realidade. Eu não me reconheço ás vezes, e isso pode ser bom. Eu li no twitter de um amigo que ás vezes quando nos colocamos do avesso pode ser que nos encontramos mais ou menos isso que estava escrito. E pode ser esse rumo que minha vida esta tomando. Essa não é a Aryana, mas se é ela que esta ai, então vai ela mesmo.

O que tenho certeza é que mudei e não sei se esta notável essa mudança, ontem falei com minha madrinha e ela disse que até por ser, mas outras vezes sou eu mesma que estou aqui. Pode ser que por algum instante tive um momento de alivio, ou não. Talvez eu queria ter matado aquela menina e ter feito o parto de uma mulher. Ou não de novo. Sei lá ao cubo. Sim, mais uma vez essa mistura de sentimento toma conta de minha mente.

Esse ano foi tão confuso não? Começou até que bem, ao do nada ele resolveu chamar atenção, que carência né? Seria essa a palavra? Não sei... Eu até gostava do ano de 2010, eu achava ele simpático coisa e tal, nunca tive nada contra ele. Aliás, eu acho que até segui meus costumes na virada, fiz minhas simpatias, pulei com o pé direito na virada, fiz a dança da lentilha, tomei meu champanhe e joguei o resto pra trás, passei com grana no bolso, fiz pedidos, pensamentos positivos, passei com aquela lingerie de cor especial, entre outras coisas, sim... Tudo isso e um pouco mais! Claro, todo ano dá certo e por que esse não daria não é? Claro que ficaria bem, eu teria um ano lindo, com paz, amor, saúde e dinheiro, pronto seria feliz e até 2011!

Pois, não foi bem assim, e como isso foi dolorido. E parece que levou algo de mim, e levou de certa forma. Levou coisas que eu sei que não posso ter nunca mais, outras eu pude me proporcionar a ter, outras quem sabe o tempo me trará, outras ficaram na lembrança. Certas lembranças ficaram quietas, outras insistem em voltar.

Em maio minha vida teve aquela grande mudança. Eu passei dias presa em um local que no começo não era agradável, não que depois se tornou agradável, mas é que as pessoas o tornou. Eu fui acolhida com um carinho tão bonito, de uma forma tão singela que a minha hospedagem por aquele local se tornou mais leve. E hoje eu analisando nem me lembro dos dias ruins só dos bons. Pode ser super estranho, mas eu chorei e senti saudades dos dias que eu estava lá, sim, isso aconteceu. Mas, sabe quando as pessoas te tratam bem? E você se sente acolhida? Era assim que acontecia.

Eu passei 40 dias no hospital e conheci anjos. Eu conheci anjos de branco, anjos de marrom, anjos de rosa, anjos de roupas normais... Aliás, de todo tipo. Era aquelas meninas que iam limpar o quarto com aquele uniforme rosa, que ficavam conversando comigo e me fazem rir com cada história. Eram aquelas outras de marrom que levavam aquele tão famoso frango que não agüentava mais, no entanto ele era fiel, toda hora no almoço estava presente. Era aquelas meninas e meninos de branco com um sorriso, abraço e uma palavra que faziam toda a diferença.

Alias, foram eles que fizeram toda a diferença. Eu precisaria de muitas linhas, parágrafos, e mesmo assim acredito que não daria para dizer o quanto cada um foi especial em minha vida. Era aquele que entrava no quarto só para contar uma piada. Aquele que ia só para ligar a televisão na rádio e ficar fazendo palhaçada. Era aquele que ia só para “pilotar” a minha cadeira de banho. Aquele que ia para me tirar da cama. Aquele que ia só para conversar. Aquele que ia só para me colocar em pé. Aquele que ia só para me dar com bom dia. Tinha aquela que ia só para saber aquela fofoca. Aquela que ia só para me falar algo legal. Aquela que ia só para saber como eu estava. Aquela que ia para me dar bronca. Aquela que ia para me dar só um abraço. Ahhh... Tiveram tantos!!! Os anjos de brancos, eu não posso explicar como foram sensacionais e como é inexplicável a importância deles em minha vida e em minha recuperação principalmente. Eles fizeram toda a diferença. E eu queria poder agradecer a cada um deles.

Sabe, eu aprendi desde pequena que a gente precisa fazer o que a gente gosta, que assim a gente faz bem feito. E eu aprendi dentro daquele hospital que isso é verdade. Aprendi com os anjos de branco que isso é verdade. E mais, eu aprendi com um anjo que nem gosta muito de usar branco, ele gosta de usar preto. Eu aprendi que quando temos fé, o resto é conseqüência. E eu aprendi também com outro anjo que vive de branco que ás vezes é preciso fazer escolhas, e nem sempre é possível fazer o que esta escrito nos livros, por isso precisamos usar o bom senso. Ela e ele me ensinaram que vale a pena lutar. E a eles eu devo a minha vida. =)

Ahhh... Esse ano foi tenso né!!! Eu aprendi e desaprendi tantas coisas... E quer sabe? Nem me deram tempo de ensaiar. Foi muito rápido esse período. Foi muito ligeiro. Falaram, “vai lá Aryana esta na hora de crescer”. E deu um choque cultural, temporal, hormonal, e sei mais lá o que na pessoa aqui. E juro que estou tentando me recuperar. Eu fui até careca esse ano, eu aprendi a andar, falar, e estou tentando me entender com os números ainda. Foram muitas, muitas coisas mesmo em pouco tempo! Eu sei que fui bebê e adulta! Mas, que continuo sendo uma criança e do nada surge uma mulher. É... Não tente entender, nem eu mesma arrisco.

Hoje eu penso que tudo foi aprendizado, um pouco puxado, mas foi. Eu tento tirar proveito das coisas agora. Eu aprendi a ter paciência, afinal eu vi minha vida a ser confiada por efeitos de remédios e eu nada poder fazer a não ser esperar. Eu vi que depois que deixamos de respirar por alguns instantes enxergamos a vida de maneira diferente. Hoje eu sei o valor da vida, ou não, isso é algo relativo. Tem horas que eu me esqueço de tomar os remédios e eu e levo bronca do tipo: “quer passar por tudo aquilo de novo?” Ai eu paro e penso... “Aquilo? O que mesmo?” Foi fichinha!!!! HAHAHA!

Sim... Dizem que nada é pesado para quem tem asas, as minhas são as mais firmes, fortes e mais, mãe me desculpa! Mais, a mais fod@! Eu tenho Deus em minha vida, eu tenho a melhor família por mais que seja cheia de acontecimentos que só os Lobos entendem, eu tenho os melhores amigos, eu tenho os melhores médicos, eu tive a melhor equipe que cuidou de mim. E dessa equipe tem uma que esta no céu agora, que de tão boa Deus quis ela com Ele! Eu estava falando com meu médico neurologista e eu reclamei desse ano e ele disse que não era pra eu pensar assim, e que era pra eu pensar que esse ano foi o ano da “vitória”, que eu venci! E foi né?! =)

E que venha 2011!!! \o/ Que esse promete, por que nele eu vou.... SER FELIZ!!! *-*[Não faço mais tanto planos.. Agora deixo a vida acontecer!!!]

3 de outubro de 2010

E a vida é para ser vivida...

E sabe quando parece que aconteceram um monte de coisas e algumas vezes você nem acompanhou? Então... Bem isso! Eu não abandonei meu caçula, não faria isso, até por que eu entro aqui todos os dias e vejo como ele é lindo. Coisa de mãe!

Minha vida mudou de forma tão doida. Vou usar essa palavra por que eu acho que retrata bem. Quem me conhece sabe bem o que eu estou falando. E quer saber? “Tô curtindo”. Eu sempre falo que não podemos ficar lamentando, e isso parece que cada hora martela mais na minha mente. Não vou lamentar o que passou, já foi mesmo.Se fizesse isso estaria perdendo tempo de aproveitar o que eu posso mudar agora, desperdiçando o que Deus deu de melhor, nosso presente. Olha que lindo, “presente”, borá aproveitar!!! ^^

Sim, ando estranha algumas vezes. Minha mãe disse isso. Meus amigos confirmaram. Mas, é que às vezes existem sentimentos que não sei lidar, não me façam perguntas agora, não saberia responder. Tem horas que me vem uma explosão de sentimentos, que da vontade de sair correndo... E o pior, para os braços de alguém! Mas, isso nem vem ao caso, é quase uma piada interna comigo mesma!

Tem horas que me sinto tão livre, que eu me perco. Mas, logo me encontro. Estranho? Pode até ser, mas é bom. Existem horas que da vontade de resgatar uma Aryana, que eu sei que nem existe mais. Mas, ela era legal também sabe?!

Tudo bem né. A Karla esta firme e forte aqui hehehe! Estou feliz. Por mais que eu acredite que felicidade é algo momentâneo, e que isso passe. Aliás, eu sempre acredito que tudo passa. Não me iludo, eu sempre acho que tudo acaba. E sempre acaba mesmo. Entretanto, eu tenho esperança e confio que “até quando uma flor cai no outono, a primavera trata de colocar outra no lugar".

E é isso. Não, meu post não acaba assim! Eu não tenho apenas isso para dizer à vocês, a realidade é que eu tenho tantas coisas que estou perdida. Mudaram tantas coisas. Eu acredito que é por que os dias estão passando rápido demais, tenho quase certeza disso. Fiz uma pulso e passou tão rápido o período de enjôo, e olha que eu sempre fico chata, sim, mais que o comum. Quase um ser insuportável, e um tanto quanto exagerada também.

Esses dias eu também estava revoltada com minha peruca. Queria, desejei como ninguém meu cabelo, o pior aquele cabelo maior que eu tinha. E eu não tinha como ter isso e isso me irritou. Me irritei demais, e chorei feito criança. Eu quero, eu quis ter o direito de ser fútil. Eu fui forte um bom tempo, e me orgulhei disso, e para mim isso bastava, ou bastou por aquele tempo.

Tem horas que parece que eu sei tantas coisas, e tem horas que parecem que todas as coisas que eu sabia somem de minha mente. Eu fico perdida, totalmente sem rumo. E eu fico ali, no meu canto, parece que esperando algo de extraordinário acontecer. E às vezes até acontece, não do jeito que eu queria, ou do modo como eu planejei, mas, acontece. E sei lá sabe, tem coisas que nem comento.

Tenho tantos planos, que algumas vezes não da tempo de executá-los. Eu coloquei em algumas redes sociais que tinha um plano para mudar o mundo e recebi comentários engraçados. Parece que ninguém entende que eu tenho mesmo um plano. Só não sei por onde começar, mas vou descobrir. Talvez eu comece por mim.

É isso. Eu estou vivendo diferente. Não tanto, mas to. Estou aprendendo a ser mais séria com certas atitudes e mais brincalhona, se isso fosse possível, com outras. Aprendi a deixar de gostar e aprendi a começar a gostar de novo, e isso é tão estranho. Mas, de tão estranho se torna patético e de tão patético, se torna mágico. E eu descobri o melhor de tudo, sou mesmo apaixonada por mim.

E quando você descobre que é apaixonada por você mesmo é tão bom. Por que ai você pode brigar com você, pode falar mal você, pode ter tantas misturas de sentimentos que você se entende. Isso é algo que só quando você tem um encontro com você mesmo, irá entender. Nesse exato momento estou ouvindo a música do Jorge e Meteus, que fala. “Hoje eu acordei gostando mais de mim, vou cair fora, vou na boa...”. Foi bem minha cara essa música por um tempo. Ou até é. Gostei mais de mim, e agora gosto. Apaixonei.

E agora largando um pouco meu egocentrismo. As pessoas também mudaram né? Alguém percebeu, ou foi só eu? Mas, isso eu falo depois. Ta tudo bem. Eu não deixei tão de lado meu egocentrismo.

Eu queria conseguir explicar todo esse vulcão que está acontecendo dentro de mim. É complicado esse lance de perder e ganhar as coisas em curto período de tempo. Desse jeito eu viro um furacão chamado Aryana Lobo, ou quem sabe uma calmaria cujo nome seria Karla Barroso. E por que não as duas juntas...

O que eu sei e por mais que seja clichê, é que não sei mesmo nada. É bom aprender. Eu gosto de aprender. Melhor ainda é aprender e descobrir que cada dia tem mais para aprender! Afinal, a vida é feita para ser vivida! ;D

2 de setembro de 2010

Foi no dia 31 de maio...

Foi no dia 30 de maio que me enganaram. Me enganaram por que me disseram que eu só ia passar a noite no CTI e logo iria voltar. Isso por que no mesmo dia, o Dr. Renato havia feito um alarde todo por que fui fazer uma tomografia do pulmão e talvez eu não agüentasse e ele avisou que poderia me entubar. É normal na vida dos médicos, não na minha. E eu não sentia muito, como muitas pessoas poderiam dizer.

Talvez nesse post minhas palavras sejam um pouco de revolta, desabafo, peço já desculpas. Mas é que nesse dia começou a semana, até hoje mais tumultuada de minha vida.

Foi assim. Aquele domingo não começou legal, afinal eu passei praticamente a noite toda acordada. Mas foi até bacana, conversei bastante com três pessoas que fizeram as horas passarem rápido.

Eu sempre achava que aquilo ia passar ligeiro, mas no fundo eu sabia que não estava bem. Eu sabia que não estava legal. Eu havia desmaiado no banheiro um dia anterior. Eu não conseguia respirar direito. Mas algo dentro de mim dizia para eu acreditar que tudo ficaria bem.

Lembro que nesse dia tinha de tudo pra comer no meu quarto. Tinha pão de forma, presunto, mussarela, biscoito de maisena, chocolate, bolacha, bolo e logo a noite o tio Zé iria me levar quibe e ele levou, só eu que não comi. Isso era bastante coisa pra quem estava no hospital. E eu não conseguia comer nada. Absolutamente nada.

Minha barriga era grande demais. Parecia que eu tinha uma lombriga criada hahaha... Era dura e ao mesmo tempo mole. Não da para explicar ao certo, mas para ter noção era como um pedaço dela estivesse congelada e a outra derretida. Muito estranha. Ela doía, eu estava enjoada. Eu queria colocar alguma coisa para fora, mas não tinha muito para colocar.

Lembro que no domingo a tarde comi um pedaço do bolo que levaram como lanche do hospital. Comi um pedaço daquele bolo por que ele tinha cobertura de chocolate e as meninas da copa caprichavam demais nos bolos. Não resisti. Nem que fosse para eu comer um pedaço eu precisava.

Sei que eu queria churrasco. De toda lei eu queria churrasco. Não iria conseguir comer, mas talvez se alguém tivesse levado eu iria ficar feliz só por ver a mandioca e a carne assada, tamanha era minha vontade. Isso por que eu não aguentava mais comer frango todos os dias.

Acordei na segunda não lembro que horas, nem sei bem como acordei. São coisas que parece que nossa mente apaga da memória de propósito por conta de choques. Sei que aquela pessoa não era aquela menina cheia de sonhos, aquela pessoa que acreditava que tudo uma hora iria se resolver, aquela moça que o senhor da ambulância dizia que com aquele sorriso iria melhorar rápido por que nada melhor que sorrir. Ali estava outro personagem da história.

Talvez alguns até entendam como erro de leitura, fora de foco. Coisas assim. Mas de tudo o que eu posso dizer aquela não era a menina que desenhava estrelas na pulseira de identificação e soltava uma alça da blusa do hospital, por que acreditava que assim ficaria mais estilosa. Alguém no meio da noite havia levado ela dali, e o pior que me deixaram com uma pessoa que eu não sabia lidar. E quando a gente não conhece, parece que ficamos de mãos atadas, sem saber como agir, não sabemos de sorrimos, choramos, paramos, corremos, a realidade é que ficamos perdidos.

Sei que sentia dor. Mas eu sentia dor, tanta dor que não sei ao certo aonde doía. Tem horas que chego a pensar que esqueci a dor. A sensação da dor que senti, saiu da minha mente como um passe de mágica. Não recordo como era, mas ela existiu. Eu queria ficar bem e queria minha mãe, era isso que eu pedia.

Não conseguia ficar bem. Cada minutos que passava parecia que aquela dor consumia minha energia e minhas forças, ah minhas forças, isso já não fazia parte de mim. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que algo estava acontecendo. Eu não sabia o que precisava ser feito, mas sabia que precisava ser feito algo. Era tudo tão confuso.

Não tomei café-da-manhã e isso eu nem percebi. As pessoas me olhavam e parecia que elas iriam me dizer alguma coisa e eu não sabia ao certo o que. Eu não tinha mais acesso, ou seja, veia para colocar soro, medicação. E isso me deixava apavorada por que eu tinha pavor de passarem intracath em mim. Intracath é o acesso central que eles colocam perto do peito ou no pescoço, é mais resistente para fazer medicação, mas dói para colocar.

Na noite anterior duas meninas tentaram de forma insistente achar veia nos meus braços. Mas já iria fazer um mês que eu estava ali, recebendo medicação forte, minhas veias estavam ficando estressadas, elas queriam sossego também. Lembro da Dayane uma tec. de enfermagem dizendo para o médico que ela iria tentar a última vez. Acho que aquilo marcou muito. Foi estranho por que ela estava de um lado e a Rosinha de outro, ambas furando meus braços tentando achar veia que prestasse. E nada.

Na segunda não foi diferente. Outras meninas tentaram. Na hora de tirar sangue foi terrível. Escrevendo agora parece que sinto a dor da agulha perfurando meu punho e enfiando até a artéria para fazer a gasometria. Nossa aquele exame que vê a oxigenação do sangue é terrível. Parece que a agulha atravessa o braço, aquele sim dói.

Mas teve uma hora que não dava mais para tentar. Era judiação demais com aquela menina, ela estava sofrendo. Chamaram o médico e passaram o tão temido intracath nela. Tempo depois passaram sonda também.

Depois de um tempo comecei a acreditar que estava pior do que eu imaginava. E essa sensação se deu quando eu fiz um exame chamado ecocardiograma. E na hora que eu estava fazendo o exame eu vi que a médica assustou, e chamou outra média e comentou. Foi ridículo. Sim, ridículo, por que alguns segundos eu vi minha vida sendo discutida na minha frente.

Nessa altura eu não conseguia ficar sentada e deitada para mim era a morte mais rápida. Não sabia como fazer. Eu queria me agitar, eu até tentava. Mas não conseguia. A sensação de impotência era absurda.

Respirar! Nossa, respirar era a coisa mais patética a se fazer naquele momento. Não conseguia fazer isso. Eu tinha uma máscara no meu rosto que parecia que ia me sufocar, mas ali continha dez litros de oxigênio para ajudar na minha respiração. Eu que ousasse tira-la.

Parece que tudo que eu tinha pavor estava acontecendo. Tudo o que eu não queria estava acontecendo. Tudo o que eu sempre rezei para jamais acontecer, estava ali acontecendo e eu presenciando de perto o espetáculo.

Sei que os médicos conversavam, eles olhavam exames. Eu chamava a Paula, uma técnica de enfermagem que cuidou de forma maravilhosa nesse dia de mim. Eu chamava e ela vinha. Eu às vezes chamava só pra ela ficar ali comigo e ela ficava.

Eu tinha medo. A verdade é que eu tinha pavor. Tinha também uma sensação que não sei explicar. A vontade que eu tinha era de sair correndo e gritar. “Ah seus bobos eu estou bem, era só brincadeirinha”. Como às vezes somos ingênuos. Eu não podia sair correndo sem meu balão de oxigênio, aliás eu nem ao menos podia sair correndo. Eu nem andava nesse dia. Realmente era um pesadelo.

Sei que olhava para o lado e via que tinha gente dormindo. Eu comecei a acreditar que ficar em coma não era tão ruim assim. Seria ruim para as pessoas que estariam conscientes. Mas fui tão egoísta a ponto de pedir para a médica me induzir ao coma. Eu implorei na realidade. Era covardia, o extremo do desespero. Eu não controlava mais meu corpo, parecia uma gelatina, meu coração era demais de acelerado e eu lá parada, fazer um simples movimento de dizer não com a cabeça parecia que eu havia corrido a maratona, eu sentia dor, eu não estava bem.

Eu sei que quando eu vi minha mãe eu não consegui falar e nem chorar. Faltavam forças para isso. Eu apenas peguei na mão dela e com o olhar eu disso tudo que ela precisava. Eu pedia socorro, eu pedia para ela me tirar dali. Eu queria minha mãe comigo. Ela não agüentou. Ela disse que eu precisava ser forte, a única coisa que eu disse foi para ela me perdoar caso eu fraquejasse, por que naquelas condições eu não podia prometer nada para ela.

A médica levou minha mãe. Hoje em dia ela me conta que sentiu uma dor muito grande que ela não consegue descrever. Que ela se sentia incapaz demais, que não conseguia me ver sofrendo daquela forma e não poder fazer nada. A médica havia chamado minha mãe antes da visita para falar comigo, por que eu não estava em condições e eu queria vê-la. Por essa razão ela conta que quando chegou do lado de fora do CTI a única coisa que ela disse foi perguntar a Deus por que Ele havia abandonado ela naquela hora.

Eu não sabia ao certo o que eu tinha. Mas eu sabia que não estava bem, era notável demais isso. Lágrimas escorriam pela minha face. Meu fisioterapeuta tentou fazer inalação comigo e foi terrível. Era terrível tudo aquilo.

Eu pedia remédio e parecia que o remédio nunca chegava. Depois que eu havia feito o eco, raio x, tomografia, decidiram que eu iria fazer outro exame. Fiquei o dia todo sem comer por conta desse exame. Não sabia ao certo que exame era esse, mas se era pra eu melhorar que fizesse logo por que não agüentava mais sofrer.

Mas eu não podia fazer aquele exame. Eu estava fraca demais. Não aguentava chegar nem na ambulância. Os médicos disseram que iriam me colocar em coma induzido para fazer o exame e depois voltar tudo ao normal. Eu falava que era para me dar um sedativo logo por que eu queria dormir e só acordar quando tudo tivesse passado.

A Dra. Josane chegou e disse que ficaria tudo bem. Eu sempre acreditei nela. Por mais que nesse dia ela não falou direito comigo. Ela estava nervosa. Ela conversava com os outros médicos, eu lembro que ela disse para um falar baixo que do box onde eu estava eu escutava tudo.

Chegaram numa conclusão. Eles não tinham um diagnóstico do que eu tinha e eu não conseguia fazer o exame para definir o diagnóstico. Olha que bacana, eu deitada sem saber de nada e minha vida por um fio.

Minha médica chamou meus pais. E falou o que todas as pessoas que tem pessoas em hospital não querem ouvir. Eu estava em estado grave e eles não sabiam ao certo o que fazer, eles havia chegado em um consenso e iriam arriscar uma medicação por que não conseguiria outra coisa, e do jeito que eu estava eu tinha apenas 10% de chance de vida.

Pronto. Minha tia ajoelhou. Minha mãe chorou. Meu pai foi embora. Minha médica entrou para autorizar a medicação. A sorte estava lançada. E eu estava esperando. Eu nada podia fazer. Eu sempre digo que Deus colocou no meu caminho só pessoas com competência e honestidade. Minha médica depois de uns dias disse que ás vezes era melhor usar o bom senso do que estava escrito nos livros. Foi isso o feito.

Disseram que era pra eu ficar calma. Nesse mesmo dia eu desidratei. Tive calafrios terríveis. Mas a tarde eu cochilei. Acordei eu estava respirando melhor. Quando eu acordei ainda não sabia que não iria fazer o exame e aquele exame me dava medo. Me dava medo por que disseram que iriam me dar um remédio para dormir, tinha medo de quando e como voltaria.

A Dra. Rejane veio e disse que não iria fazer o exame. Lembro que estava deitava um pouco sentada, essa era a única posição que eu parava. Nessa hora eu estava sã. De manhã parecia que eu desmaia diversas vezes e voltava. Ela disse que não iria mais fazer o exame por que eu estava melhor. A partir de então coloquei na cabeça que estava melhor e cada minuto ficaria melhor.

Minha mãe entrou para a visita. Eu disse a ela para avisar o pessoal lá fora que eu voltava que podia demorar, mas eu voltava. Eu estava melhor e eu sabia que eu estava melhor. A realidade eu sabia que essa afirmação naquele momento no fundo era ilusão, mas agarrei firme naquilo.

Sei que meu pescoço quase nem mexia, aquele troço no meu peito era estranho. Eu mesma “acabada” disse para minha mãe que havia virado homem por que tinha “torneirinha” da sonda. Que por sinal me incomodava. Não podia perder o bom humor. Eu sentia minha cabeça pegando fogo. Eu não conseguia me mexer. Eu não podia me mexer na realidade. Eu estava presa a uma cama sem saber por quanto tempo e nem ao certo o por que.

Passei a semana tensa. Tomei banhos de leitos que achava humilhante no começo, mas depois percebi que isso só comprova que não somos uma ilha mesmo. Foi a semana que eu perdi meus cabelos. Foi a semana que eu passei no hospital sem minha mãe. Foi a semana que eu mais senti saudades. Foi a semana mais dolorosa. Foi a semana de maior aprendizado. E o mais essencial foi a semana de mais fé. Escutei uma menina lá do hospital dizendo assim: “Aryana em cada cantinho tem alguém orando por você, você é muito especial”. Eu Tive mais forças nessa hora.

Descobri depois que eu tive uma embolia pulmonar. Mais uma complicação do lúpus. Eu tinha um coágulo no coração, meu coração estava grande também. Mas a maior preocupação era o coágulo. Ele não podia se desprender por que caso contrário coria o risco de entupir uma artéria do pulmão e ai adeus Aryana Lobo. Cheguei àquela noite de domingo com o fígado inchado, meu ruim estava funcionando apenas 37%, meu útero estava me dando problema, ou seja, meus órgãos estavam pifando.

Confesso que me revoltei diversas vezes no hospital. Briguei comigo mesmo e me chamei de incompetente por estar presa e não sair correndo. Mas foi naquela semana que eu aprendi a ter paciência, e vi que fé essencial na vida da gente. Acredito que precisamos acreditar, sempre acreditar, seja em qual for a coisa que queremos, precisamos acreditar, se pelo menos gente acreditar, já é um bom começo.

Foi uma semana tumultuada, eu quis ter coisas que não podia. Eu vi coisas ali naquele CTI que queria apagar. Eu escutei coisas estranhas. Eu escrevi coisas demais, eu estava melhorando pedi caderno e caneta e comecei a escrever. Eu cumpri minha promessa eu sai de lá, e não demorei, na sexta-feira eu disse que estava melhor, me levaram para fazer exame o coagulo havia sumido.

Podem chamar do que for. Eu chamo de milagre. Eu cumpri a promessa que eu fiz para minha mãe, eu voltei. Eu vivi. Eu lutei. Eu lembro que fui fraca, ou talvez sincera e disse que não iria dar conta e ela fez eu prometer que iria tentar. Eu tentei. Não sei ao certo a gravidade de tudo, mas passou.

E eu sempre pensava nisso. Era na hora do apuro, ou não eu pensava nisso. Eu olhava para um crucifixo e pedia apenas força e paciência para Deus se fosse para eu sair daquela. E ele me deu, e te falo uma coisa, Ele estava ali o tempo todo segundo minha mão. Por que eu sentia, simples assim!