10 de agosto de 2011

Permitir...

Como tudo pode mudar de repente não? Algumas mudanças necessárias, porém outras vezes não são aceitáveis. Eu já me questionei por diversas coisas, me enganei por outras, não quis algumas, mas cá estou eu. E olha que estou firme e forte. Ta bom, algumas horas não tão forte, mas quem disse que precisa estar 100% a todo momento? Somos seres humanos não é? E perfeição esta longe de nos acompanhar.

Ah como eu quis mudar o destino. Como eu quis viver um conto de fadas, e fazer aquele famoso final feliz. Como eu quis realizar coisas que ninguém entenderia, mas eu quis e até insisti pra isso. Tenho pensamentos que jamais poderia ser desvendados.

Escutei a seguinte frase: “me disseram mesmo sem te conhecer que você tinha muita sede de viver”. Incrível, essa é a Aryana Lobo. E se eu faço coisas sem sentido é somente em busca dessa tal de felicidade sabe, eu sei que perco o juízo tem horas, e deixo qualquer pessoa que me ama de cabelo em pé. Juro que me arrependo, mas tem algo que fala mais alto. E é sério, eu acho que sou a mulher maravilha em alguns momentos. (risos)

Vou criar a tal da vergonha, tomar os remédios certos, esquecer de vez aquele amor, terminar o meu livro que por sinal esta ficando lindo, claro que modéstia pouca é bobagem. Voltar pra faculdade, porque as aulas começaram e eu não me toquei disso ainda, ou melhor, meu corpo não se tocou. Vou viver, e me permitir, assim como tenho feito.

Cansei de esperar, aliás acredito que parei de esperar, aprendi que saudade é bom, mas não podemos ficar presos a ela. E quando fizemos nossas escolhas ela passa a ser a opção certa, e estamos sujeitos as consequências. E nada, nada mesmo pode tirar nossa felicidade a partir do momento que nos permitimos ser felizes.

Eu me permiti, tenho vivido cada coisa, conhecido pessoas, e descoberto sensações! Quer saber? Nessa vida eu tenho muita história para contar, e quero cada vez mais viver, viver e viver e poder pirar, se inspirar e escrever! Afinal, foi isso que eu escolhi e para mim, isso é o certo ;)

19 de maio de 2011

E quando o lado inverte é difícil...

Ano passado eu estava passando por tantas coisas nessa mesma época, que por mais que eu fale, lembre, nunca vou ter noção de tamanha era a gravidade, ou intensidade de tudo. A única coisa que eu sei é que eu queria sair daquele hospital e voltar andar, isso eram as coisas principais. Aprender tudo o que eu aprendi, era apenas conseqüência.

Agora eu me vejo do lado de fora e totalmente de mãos atadas. Ano passado eu recebia a visita praticamente todos os dias de um senhor moreno, baixinho e que adora fazer piadas com os outros. Ele é tão divertido que antes costumava se vestir de palhaço e animar as crianças no dia 12 de outubro.

Ele é terrível, no bom sentido, claro. Ele ia nem que fosse para me falar que tinha comido carne de churrasco e eu continuando no frango. Ele ia para me incentivar a comer o frango, a sopa, a sorrir, a acreditar e de algum modo a viver.

Definitivamente eu não sei o que fazer. Eu sempre achei que é melhor eu estar doente, que seja considerado egoísmo. Mas, sempre pensei que era melhor assim. Eu sei dos meus limites, eu sei que uma hora ou outra eu vou sair dali ou tudo vai acabar, e mais, estou vendo tudo acontecer. Mas, agora mudou. E eu não sei lidar com essa mudança.

Não sei ficar aqui do lado de fora sem saber como os enfermeiros estão tratando ele, sem saber o que médico esta falando, como ele esta sendo cuidando. O que eu sei que aquele senhor esta lá no hospital com o coração fragilizado, logo aquele coração que é tão bondoso.

Eu sei como é essa sensação horrível de não conseguir respirar, essa agonia toda. Mas, falar isso é bobagem, já passou, acabou, mas ele esta lá. Eu sei que quando eu passava mal, eu dormia. Deve ser essa a parte que entra meu egoísmo. Passa um filme na minha cabeça, eu querer trocar de lugar com ele. Mas, eu não posso.

Hoje estou do lado de fora, e fico nessa agonia. Nessa espera. Perguntei para minha mãe o que ela fazia, e ela me disse que apenas rezava. Não tem mais o que fazer. Então é o que vou fazer. Por que eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Por que ele foi o único que conseguiu fazer uma cirurgia ano passado e sair do hospital e ainda ir me ver. E foi tirar onda comigo, por que eu estava demorando em deixar o hospital.

Tenho certeza que ele vai sair daquele hospital para fazer aquele churrasco que ele sempre promete, para fazer a piada com o pé pequeno, para pentelhar a irmã mais nova, e para mostrar mais uma vez que é forte, e vai agüentar mais essa. Força tio Edgar, eu to aqui fora, querendo estar ai com o senhor e rezando para que Deus dê forças para superar tudo isso.

16 de maio de 2011

Por que homenagem é pouco! ;)

Uma frase que ficou na mente: “Eu deixei de dormir várias noites e fui lá te ver”. Fiquei pensando, como explicar isso? Muitas pessoas não conseguiriam e desistiram, mas eu sou insistente e vou ao menos tentar!

Sabe quando você esta totalmente desprotegida, e, Deus decide mandar um anjo para começar a arrumar as coisas? Ou até mesmo para dizer que tudo no final dará certo? Então foi isso que aconteceu!

Eu não sei o que realmente ocorreu no dia 7 de maio de 2010 em minha vida. O que eu sei é que quando minha mãe estava perdendo a esperança e não tinha mais ninguém para pedir ajuda, ele surgiu. E por mais que minha mãe falasse que não sabia quem era e no fundo também desconfiava, o caso foi assumido.

Talvez se naquele momento não estivesse passando por aquele hospital, ou se não reparasse no desespero de uma mãe, eu não estaria a escrever hoje. Não sei. A única coisa que eu sei é que fui salva. E isso eu só tenho que agradecer.

Eu sei que tenha sido bem ingênua com a pergunta no dia seguinte, perguntando quanto tempo ficaria naquele hospital. E eu acreditava que era exagero estipular 20 dias. Eu precisava viver, e ficar ali por tanto tempo me tirava o sossego. E aquele médico achava que eu tinha tempo pra parar, e eu nem tinha.

E os dias passaram, e eu fiquei. E nessa hospedagem ocorreram tantas coisas, mas, tantas coisas mesmo que mudaram minha vida. E se não fosse o cuidado que tive, talvez nem estaria aqui.

Sempre fui muito curiosa e isso às vezes irrita. Mas, ele sempre teve paciência com aquela que passou a chamar de “pancadinha”. Um dia me disse que havia me puxado de um precipício por uma linha. Nunca entendi ao certo o que quis dizer com aquilo. Mas, eu aceitei e grudei na linha.

E foram dias de luta. Dias que eu cheguei a pensar que não passariam. Dias em que eu questionei o porquê de tudo aquilo. Dias de quase perdi a esperança. Dias que se passaram e se for pra pensar nem demoraram tanto assim. E foram nesses dias que eu vi a luta de uma pessoa que eu nem conhecia e que se dedicava tanto.

Sabe a frase ali de cima? “Eu deixei de dormir várias noites e fui lá te ver”... Então. Existiam madrugadas que eu acordava e lá estava ele conversando com minha mãe. Lembro que uma vez eu escutei dela que quando chegasse não era para encher de perguntas por que passava tarde e poderia estar com pressa. Não resolvia ela me dizer isso.

Era só o ele entrar naquele quarto que parecia que a mente “pacanda” começava a funcionar de forma mais agitada. Era por que eu queria sabe tudo o que estava acontecendo, e eu precisava saber tudo o que estava acontecia. E na maior tranqüilidade o senhor dizia. Existiu até vezes que parou para escutar as anotações que eu fazia no caderno. Tamanha era minha curiosidade, eu fazia lista para que na hora da conversa não faltasse nenhum item.

E acredite, depois da visita do médico, eu ficava matutando as coisas. Eu acredito, ou agora tenho consciência que eu ficava tentando bolar um plano mirabolante para fugir daquele hospital e pela porta de frente ainda.

Mas, algo me impedia não é. E aquelas pernas não funcionavam e parecia que elas estavam de brincadeira conosco. E eu chegava acreditar que eu estava em algum really show e que qualquer hora as cortinas abririam e eu veria que acabou tudo. Mas, os dias passaram, as lutas vieram. E eu via que esta ficando difícil.

Teve um sábado que eu tive medo. Alias, foi um dos dias que eu mais tive medo. Foi por que aquele anjo que não vestia branco, disse em alto e bom som que não estava dando conta de mim. E mais, disse que estava entregando meu caso para outra pessoa. Quando eu ouvi que eu estava escorregando entre seus dedos e ele nada podia fazer. Eu me senti perdida, por que naquela altura era somente em quem eu confiava. E eu acredito que para um médico chegar e dizer que não esta sendo capaz de cuidar de um paciente, é que ele é muito capaz de cuidar, por que isso se chama humildade.

Mas, dizem que um anjo sopra no ouvido né. Ele soprou e deu tudo certo. Foi uma luta. Uma luta cansativa, que tem horas que até eu nem lembro. E eu tinha a força, o apoio. E não só eu. Sei que no dia em que eu mais estava mal, no dia 31 de maio, minha mãe recebeu um abraço e esse abraço transmitiu a segurança que ela precisava para saber que eu iria sair daquele CTI.

Se agora é o aniversário dele, ano passado foi eu quem ganhou o presente. Ganhei o que eu mais tinha de precioso e coisas além. Ganhei a vida e alegria de viver, aprendi coisas pelas coisas não sabia que poderia aprender.

Hoje agradeço a Deus por todo aprendizado e por ter colocado pessoas iluminadas em meu caminho. Em especial por aquele neurologista, de nariz empinado que é super convencido por que na maioria das vezes acerta, e que, aliás, ele pode ser convencido. Eu sou um milagre, que Deus utilizou de seu talento para transformar.

E o que posso desejar é que ele continue abençoado e iluminado, por que se existe anjos aqui na terra, eu encontrei o meu o no dia em que eu mais precisei, e ele me ajudou de todas as formas possíveis. Não preciso e não vem ao caso dizer o quanto ele fez por mim, o quanto foi e se tornou importante em minha vida. E que claro, vou agradecer milhões de vezes, por que não é sempre que você para de respirar por uns instantes e recebe em troca pessoas maravilhosas em sua vida.

26 de abril de 2011

Eeee destino...


Aconteceram tantas coisas nesses últimos dias em minha vida. Mas, foram tantas coisas diferentes que fiquei perdida. Vivi momentos que acreditava que nunca viveria, passei por coisas que não acreditava ter coragem, e realizei outras que eu sempre quis e não tive oportunidade, mas que do nada estava acontecendo comigo.

Pois é... Como pode aquela menina que há quase um ano estava internada em um hospital quase morrendo, com a vida limitada e sem nenhuma esperança, agora estar ali viva, vivendo tudo o que estava sendo permitido viver.
Ahh... Quer saber? Eu vivi! Eu me joguei e vivi. E eu aprendi que nessa vida não podemos ter tanto medo de arriscar e se temos a chance, ela pode ser única. E ela é realmente única.

Sempre quis sair gritando que eu era “imprensa”, e no meio de uma multidão eu fiz isso e o povo abriu espaço. Lá fui eu me realizar. Quis sair pelo mundo entrevistando com aquele frio na barriga e fiz isso. E não estava nem ai se eu precisava fazer o texto e acordar cedo. O negócio era a adrenalina que me dominava.

Eu aprendi a não ter medo de levar um não, e se levasse continuar sorrindo e tentar de novo. Ah como eu aprendi coisas. Aprendi até a colocar um vestido de um zíper mega complicado dentro do Godofredo. Pois bem... Eu aprendi a trocar de roupa de todas as maneiras possíveis dentro de um carro. A se maquiar em um minuto, a compartilhar um espelho micro e a saborear o dogão da Afonso Pena do dia-a-dia.

Foram tantas experiências esses dias. Semana que vem faz um ano que minha vida mudou quase da água para o vinho. E nada mais justo do que eu ter amadurecido assim. Esses últimos dias o destino brincou comigo de um jeito que acreditei que ele não ia muito com minha cara.

Eu descobri, ou melhor tive a certeza que a gente conhece bem a pessoa que deixamos de amar, mas que infelizmente as pessoas nos dão valor tarde demais, e depois não adianta vir atrás por que eu já estou saturada e tão cansada de ter lutado sozinha. E que muitas vezes fugimos do que nos esta predestinado, e isso só nos faz machucar mais. Descobri que algumas pessoas podem ser egoístas por amor. E isso pode até ser perdoável. Eu também ficaria três últimas vezes com a pessoa que eu amo antes de matá-la. São coisas que nem o amor explica, que o destino não condena, mas, que a vida da a cartada final.

Ah, como eu aprendi coisas nesses últimos tempos. E como foi dolorido aprender a abrir mão de algumas. Umas foram como arrancar uma parte de mim. Impossível descrever, mas superável... Aliás, eu acredito que depois de tudo que aconteceu tudo é superável. E como eu digo, esse é o ano!

Vou me dedicar mais ao meu livro, cuidar da minha árvore e claro, cuidar do meu filho Godofredo, que pode não chorar e nem fazer pirraça se jogando no chão, mas é meu! Só meu!!! =) E eu aprendi tantas coisas mais importantes do que se importar com outras que não valem a pena, como por exemplo, SER FELIZ!!!

19 de abril de 2011

Amor maior =)


Existem tantas coisa que eu queria dizer para vocês. Eu estou feliz. Eu estive confusa, revoltada, sem juízo, com juízo, realizada, decepcionada, tantas coisas ao mesmo tempo. Só digo que meus 21 anos estão me fazendo tão bem. Estive internada, minha ervilhinha resolveu virar uma azeitona novamente. Ela é linda, ou seria carente que gosta de chamar atenção uma vez ou outra.

Mas, não sei o que acontece que do mesmo modo que caio eu levanto, aliás, eu sei, é minha fé. É Deus. Eu posso ficar muito doente uma hora, mas passa pouco tempo eu me recupero, parece que é mais um susto, um alerta para eu me ligar que eu preciso me cuidar. E eu acordo para a vida e começo a prestar na saúde.

Escutei do meu neurologista que eu me tornei uma jóia preciosa e que me perder seria uma dor muito grande, e que não foi a toa ele muitas vezes largar a filha dele de madrugada para ir me socorrer. As palavras do pequeno grande homem metido, me emocionou e ele nem precisou ser tão bravo como meu outro médico. Eu entendi tudo. E mais uma vez nesse cenário quem esteve comigo foi ela. Minha mãe. E o que falar dessa mulher que me faz ver o mundo de maneira melhor? Dia desses uma amiga disse que achava ela, com perdão da palavra, "fodis". E realmente, ela é. Minha mãe é isso e muito mais. E hoje quero fazer uma homenagem, já que é aniversário da mulher mais linda desse mundo! =)

Ela é a pessoa que me mostra que é possível viver a vida de maneira simples e da melhor maneira. A pessoa que eu sei que vai me apoiar se eu escolher virar a direita, mesmo sabendo que se eu fosse para esquerda eu me daria melhor, ela sempre fica do meu lado. Mas, também quando é preciso ela me manda para a direta, quando a esquerda não é legal. Ela é muito sabia. Ela é aquela que me da aquelas broncas e depois vem com um agrado. Ela é aquela que faz eu vender meu ingresso da festa às 22 horas só para ficar me olhando a noite toda e depois vem cheia de amor para meu lado. Ela é aquela que tira o doce, mas da o salgado, ou vice e versa. Ela é aquela que não me da brinquedo no dia das crianças, mas em um dia qualquer me entrega a cheve de um carro. Ela é aquela que larga tudo, pára a vida e se dedica inteira à mim. Ela é aquela que me entende só com o olhar. Ela é aquela que segura na minha mão quando eu preciso. Ela é aquela que esta ao lado nos momentos mais marcantes da minha vida. Ela é uma daquelas que não desistiu de mim. Ela é meu melhor, meu maior, ELA é o amor da minha vida. E qualquer palavras que eu esvrever sobre o que sinto são detalhes e jamais conseguirão exprimir precisamente meus sentimentos.

O que já passamos juntos não tem como explicar. Não podemos falar, só nos sabemos. Os olhares que trocamos, os apertos de mãos que tivemos. A começar pelos chutes que eu dei na barriga. Nossa intimidade é além de qualquer outra. É como mover toda a mobilha de um quarto de um hospital só para me proporcionar ver a lua por um minuto. Isso é conseguir entender uma a outra.

Ela sempre confiou em mim, e isso é meu maior orgulho. Ser filha dela é uma honra! E Quero cada vez mais dizer que sou filha de Rosangela Lobo, minha rainha!!! =)

Eu amo, eu admiro, eu te desejo tudo de melhor na vida dela. E se depender de mim, eu sou capaz de tudo para vê-la feliz. Por que faço todas as promessas possíveis para sua felicidade. E eu luto por isso. Ela merece a placa de melhor mãe do mundo e isso nem preciso entrar em questão, isso é mérito dela. Parabéns pelo seu aniversário!! Eu te amo sua linda, e eu amo além do que as palavras podem explicar!!! ;)

31 de março de 2011

Só é saudade por que valeu...

E eu completei meus 21 anos e sem um pingo de juízo! Fato! Sabe e não quer dizer que foi somente em relação as bagunças que aprontei, as que eu estou aprontando e as que eu estou planejando cada segundo em minha mente. Eu perdi o juízo do risco que corro.

Eu parei de tomar remédio depois que eu voltei do Rio de Janeiro, achei que era a mulher maravilha hehehe! Pois bem, meu primo disse assim: “O Godofredo só anda com gasolina né”?. Pronto, entendi o recado.

Mas, sabe quando você não esta para isso, não esta para ficar lembrando-se de remédio, não esta com saco de fazer a pulso todo mês, não tem paciência para ficar enjoada uma semana? Sou eu.

Parece que eu quero viver tanto que eu não tenho tempo para sofrer, não quero isso pra mim. NÃO MESMO. Sim e com letras maiúsculas! Caixa alta para enfatizar, gritar e deixar claro. NÃO QUERO MAIS SOFRER.

No entanto, meu organismo pede, ele é teimoso, e por esses dias ele esta totalmente de mal comigo. E isso significa que o lúpus voltou para me atormentar. Isso é certo? E o que é certo nessa vida... Sim, estou desiludida por essas coisas, tantas lutas e ele volta...

Eu sei que fui eu que de alguma forma ou outra deixei isso acontecer. Mas, eu não quero tomar aquele bando de remédios, e o pior, agora aumentou a dose. Ah, sim pode ser criança mimada ou chame do que quiser maaaaaaaas, eu não vou tomar. E ponto final.

Hoje eu fiz pulso. Dela eu não tenho como correr se não agora estaria no hospital. No entanto, eu queria algo para driblar o maldito lúpus. E como fazer isso, eu tento, eu penso, eu planejo, eu queimo meus neurônios e não consigo. Ai vem a pergunta, por quê??!!?? Alguém sabe a resposta? Não né. Pois bem.

Sério, estou revoltada, desanimada e algumas horas desacreditada com a vida. Eu estou sempre sorrindo, lógico, dizem que sorrir é a cura de tudo. E eu não suporto ficar reclamando, acho que ninguém tem nada a ver com meus problemas e ninguém precisa ficar com dó de mim. Odeio a possibilidade das pessoas acharam que eu sou uma coitada.

Uma vez me disseram que eu sou forte e guerreira. Eu fui. Fui em um período muito difícil de minha vida, mas cá um segredo entre nós, eu sou a pessoa mais medrosa e covarde do mundo. Pois é, sou aquela pessoa que pensa que se aconteceu aquilo e eu aguentei, eu sei que não suporto outra queda daquelas. E se caso acontecer, eu não vou lutar... É covardia, claro que é, porém, se aconteceu uma vez e eu consegui, por que de novo? É injustiça poxa.

Por isso que fique claro, estou igual criança mimada, literalmente. Quando eu faço pulso eu fico assim. Se eu já não queria tomar remédio, estava triste e etc e tal, agora depois da pulso estou mais.

Na hora que estava fazendo a pulso hoje eu passei mal. Parecia que não iria respirar nunca mais. Foi uma sensação indescritível de tão horrível. Eu corri e chamei o enfermeiro, e ele parou a medicação. Confesso que nessa hora eu quis muito alguém no meu lado. Foi terrível. E eu lá sozinha dentro de uma sala com mais três macas vazias.

Eu desejei tanto aquela mão segurando minha. Ou aquele abraço que me conforta sempre. A mão eu não pude ter, mas tive a ligação. O abraço quando cheguei em casa minha mãe me deu e prometeu nunca mais me deixar sozinha. Eu sou teimosa. Fui dirigindo até lá e sozinha. Não gosto de dar trabalho para ninguém. E eu ainda pretendia ir para a faculdade fazer prova. É pessoal, ela esta pensando que tem super poderes.

Hoje eu senti tanta falta dele. E isso ele nunca vai saber, já que ele não vai ler esse blog e muito menos eu vou falar isso. Eu só queria entender o que é essa força que não me desliga dele. E foi incrível, na hora que eu passei mal, na hora que eu estava ruim, meu cel tocou. Não preciso dizer mais nada.

Foram meses querendo ele longe, ou perto. Não sei. Esse tempo eu achei que saberia o que era amor, sem inclui ele comigo. Eu tentei, claro que eu tentei, cheguei até magoar pessoas pelas quais eu queria guardar em um cofre de tão preciosa, mas magoei também. Ah esse tempo eu errei demais. Mas, hoje, especificamente hoje eu senti saudades. Porém, passou. Estranho né...

Aliás, hoje eu senti falta de tantas coisas. Naquela sala sozinha eu estava estudando para uma prova que iria fazer hoje. Folhas espalhadas pela maca e um soro correndo em minha veia. Cenário ridícul [risos]. Eu senti falta de mim mesma, ah não me perguntem como isso é possível, mas foi.

Agora eu acabei de ver fotos antigas. Nossa. Quantas saudades de tudo. “Minha tia hoje mesmo disse:” O que será que estávamos fazendo ano passado nessa data?“. E eu disse que provavelmente estaria na faculdade aprontando alguma coisa. Bem minha cara.

É possível sentir saudades de você mesma? Eu sinto. Se for possível ou não, eu sinto. Eu conquistei muitas coisas depois de tudo, eu costumo classificar a Aryana como antes e depois do hospital. E é verdade. Não, eu não queria voltar e ser exatamente como era. Eu to feliz assim, nem tanto, mas estou. Isso é só de momento. Eu vou ficar feliz, vou ficar bem, e outra, por mais que eu perdi certas coisas, outras compensaram. Foi apenas saudades. Oh treco chato.

Agora eu sei que vou ficar uma semana manhosa, enjoada, chata, estressada, triste. E daí? Tudo passa mesmo. É sempre assim e o mundo continua. Agora estou com dor e empolguei escrevendo. Então vou desligar o note e dormir, afinal, “nada é pesado para quem tem asas”, e minhas asas estão fortes, pelo menos elas.

Foto do meu niver! Dia lindo, com minha família e meus amigos, mesmo alguns não estando presente pessoalmente, de alguma forma ou outra sempre estão comigo! Não tem preço ter vocês em minha vida! ;)

Ahhhh.. Bem vindo abril =)


25 de março de 2011

E quando é pra ser...


Estou escrevendo meu livro que fala sobre pessoas com lúpus, e esse servirá de meu TCC! Sabe quando bate uma sensação estranha? Ahhh.. estranha poxa! Não dá para explicar.... Seria, uma saudade, uma vitória, tristeza, alegria.. Não não tem definição! E o último capítulo eu irei colocar minha experiência.. E olha que não foi fácil! E só de pensar nisso me da um frio na barriga! Por que eu não sei se eu vou conseguir meso expor tudo o que eu passei! Existem coisas que não se explicam, só se sente! E existem coisas pelas quais até daria para explicar, mas falta palavras! Pois é.. Mas, vou tentado escrever algo que chegue perto do que aconteceu realmente.. E olha que não foi pouca coisa! Eu nas fotos uma quando eu sai do hospital e eu semana passada no meu aniversário! Ahhhh quanta mudança! =D

Esse é o começo do meu capítulo... E tem muito, muito mais por ai! =)

Eu abri os olhos e vi que não estava no mesmo lugar. Engraçado, até poucas horas parecia tudo familiar e tudo tão comum. Mas, não era. As janelas eram grandes e escuras, mas seus furinhos deixavam os raios de sol bater em meu rosto. O lugar era claro, talvez para dar algum tipo de calmante natural.

O quarto tinha três camas e uma cadeira. Na parede havia aqueles kits de oxigênio só na cama do meio, talvez nunca houvesse a necessidade de três pessoas ao mesmo tempo utilizar. Tinha também um ar condicionado tímido, que ninguém pelo visto se atrevia a ligar. Era uma enfermaria de um hospital particular da capital Sul-matogrossense.

Eu estava deitada bem na cama ao lado da janela. E da direita para a esquerda estavam as outras duas. Do meu lado esquerdo estava uma cadeira branca, na qual minha mãe passou a noite, ou as horas daquela noite. Na cama do meio não tinha ninguém, e na do outro canto havia uma moça, a ‘Isabela’. Essa moça estava internada há uma semana por conta de uma dengue hemorrágica.

Acredito que eu abri os olhos bem na hora de troca de plantão, só pode. Era barulho, conversa. O pessoal entrando no quarto, ou o pessoal era animado daquele hospital. Eu constatei que o pessoal era animado só mais tarde, e eu nunca vou saber se era troca de plantão ou não.

Realmente estava no lugar errado. Nada daquilo era meu. As pessoas nenhuma eram conhecidas, exceto minha mãe. Pronto estava começando uma nova fase de minha vida e eu nem tinha noção disso.

Eu tinha vinte anos e teimava em dizer que estava na casa dos dezenove. Mas, havia um erro. Sabe aquelas pulseiras de identificação do hospital, lá constava que eu tinha dezenove. Isso contribuiu para minha confusão. E essa era a palavra que mais identificava aquela situação. E para contribuir eu coloquei na cabeça que era meu aniversário. Devia estar em algum estado de espírito de carência que precisa de algum refúgio e buscava atenção, talvez essa data era a solução. A única explicação para esse surto. E esses surtos se estenderam por diversas manhãs daquele hospital. Mas, sempre tinha alguém para lembrar que não era meu aniversário.

Mas, sabe quando uma pessoa que você gosta muito esta em uma situação como essa? Ah, se não sabe alguns gestos das pessoas mais próximas a mim explica. Meus tios, tias, primos, primas, amigos me davam parabéns pelo telefone e eu com uma voz que parecia um estado de embriagues, falava indignada que não queria passar meu aniversário em um hospital. Meu namorado da época levou um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, e eu acreditei mais ainda que era meu aniversário. Talvez, o bolo foi bom para eu não acordar convicta de que era mesmo meu dia, ou talvez foi ruim, que confundiu mais minha cabeça.

Lembro que a data era próxima ao dia das mães e meu aniversário é dois meses antes dessa. Um dia acordei e uma senhora da Igreja estava entregando papéis sobre mães. Chorei encolhida na cama. Sabe quando você esta em um lugar onde várias pessoas falam e você não consegue prestar atenção e quer colocar seus ouvidos no mudo. Era isso que eu fiz. Queria colocar as idéias em ordem. Como podia ser meu aniversário e dia das mães ao mesmo tempo. Não tinha essa possibilidade.

Definitivamente tinha aberto meus olhos no lugar errado e provavelmente na hora errada. No dia anterior eu estava na minha casa, na minha cama, com minha família, com meus objetos, com minhas dúvidas, com os problemas que eu sabia resolver, com as indagações que eu saberia desfazer. E lá não, estava tudo fora de ordem. Eu estava com o lúpus em atividade, aliás, mal sabia o que eu tinha naquele momento.

Os meus dias eram comuns. Nada de interessante, mas eram os meus e eu os queriam de volta. Era uma universitária cheia de sonhos, uma menina com vontade de viver e uma mulher com sede de vida. Um desmanche de hormônios, quem sabe pelo auge da idade.

Um dia antes eu levantei e achei tudo chato demais. Estava aquele típico clima abafado, e nenhum banho gelado resolveria. Fazia estágio voluntário na Universidade e também curso de inglês. Aquele dia era pra eu fazer tudo, comparecer aos dois, mas fiquei ausente.

Era uma pessoa de pouco papo, e, talvez, era essa a melhor solução. Não tem como explicar, não existe palavras para descrever como é a sensação de saber que algo irá acontecer com e você não saber a intensidade disso, mas saber que pode acontecer alguma coisa. Uma vez li do poeta Manoel de Barros, "Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições." E nesse dia talvez sua fonte fosse eu.

Eu resolvi que não iria fazer nada. Mas, havia uma sensação muito estranha em meu corpo que me fez me tomar banho para ir ao estágio. No entanto, essa mesma sensação não deixou ir. Em um dos sites de rede social eu postei a seguinte frase: “Acordei com a sensação que hoje vai acontecer algo de estranho, não sei se é pra bom ou ruim! #tensa! Mesmo assim estou feliz #otimista!”. Estava lançada a minha sorte.