25 de março de 2011

E quando é pra ser...


Estou escrevendo meu livro que fala sobre pessoas com lúpus, e esse servirá de meu TCC! Sabe quando bate uma sensação estranha? Ahhh.. estranha poxa! Não dá para explicar.... Seria, uma saudade, uma vitória, tristeza, alegria.. Não não tem definição! E o último capítulo eu irei colocar minha experiência.. E olha que não foi fácil! E só de pensar nisso me da um frio na barriga! Por que eu não sei se eu vou conseguir meso expor tudo o que eu passei! Existem coisas que não se explicam, só se sente! E existem coisas pelas quais até daria para explicar, mas falta palavras! Pois é.. Mas, vou tentado escrever algo que chegue perto do que aconteceu realmente.. E olha que não foi pouca coisa! Eu nas fotos uma quando eu sai do hospital e eu semana passada no meu aniversário! Ahhhh quanta mudança! =D

Esse é o começo do meu capítulo... E tem muito, muito mais por ai! =)

Eu abri os olhos e vi que não estava no mesmo lugar. Engraçado, até poucas horas parecia tudo familiar e tudo tão comum. Mas, não era. As janelas eram grandes e escuras, mas seus furinhos deixavam os raios de sol bater em meu rosto. O lugar era claro, talvez para dar algum tipo de calmante natural.

O quarto tinha três camas e uma cadeira. Na parede havia aqueles kits de oxigênio só na cama do meio, talvez nunca houvesse a necessidade de três pessoas ao mesmo tempo utilizar. Tinha também um ar condicionado tímido, que ninguém pelo visto se atrevia a ligar. Era uma enfermaria de um hospital particular da capital Sul-matogrossense.

Eu estava deitada bem na cama ao lado da janela. E da direita para a esquerda estavam as outras duas. Do meu lado esquerdo estava uma cadeira branca, na qual minha mãe passou a noite, ou as horas daquela noite. Na cama do meio não tinha ninguém, e na do outro canto havia uma moça, a ‘Isabela’. Essa moça estava internada há uma semana por conta de uma dengue hemorrágica.

Acredito que eu abri os olhos bem na hora de troca de plantão, só pode. Era barulho, conversa. O pessoal entrando no quarto, ou o pessoal era animado daquele hospital. Eu constatei que o pessoal era animado só mais tarde, e eu nunca vou saber se era troca de plantão ou não.

Realmente estava no lugar errado. Nada daquilo era meu. As pessoas nenhuma eram conhecidas, exceto minha mãe. Pronto estava começando uma nova fase de minha vida e eu nem tinha noção disso.

Eu tinha vinte anos e teimava em dizer que estava na casa dos dezenove. Mas, havia um erro. Sabe aquelas pulseiras de identificação do hospital, lá constava que eu tinha dezenove. Isso contribuiu para minha confusão. E essa era a palavra que mais identificava aquela situação. E para contribuir eu coloquei na cabeça que era meu aniversário. Devia estar em algum estado de espírito de carência que precisa de algum refúgio e buscava atenção, talvez essa data era a solução. A única explicação para esse surto. E esses surtos se estenderam por diversas manhãs daquele hospital. Mas, sempre tinha alguém para lembrar que não era meu aniversário.

Mas, sabe quando uma pessoa que você gosta muito esta em uma situação como essa? Ah, se não sabe alguns gestos das pessoas mais próximas a mim explica. Meus tios, tias, primos, primas, amigos me davam parabéns pelo telefone e eu com uma voz que parecia um estado de embriagues, falava indignada que não queria passar meu aniversário em um hospital. Meu namorado da época levou um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, e eu acreditei mais ainda que era meu aniversário. Talvez, o bolo foi bom para eu não acordar convicta de que era mesmo meu dia, ou talvez foi ruim, que confundiu mais minha cabeça.

Lembro que a data era próxima ao dia das mães e meu aniversário é dois meses antes dessa. Um dia acordei e uma senhora da Igreja estava entregando papéis sobre mães. Chorei encolhida na cama. Sabe quando você esta em um lugar onde várias pessoas falam e você não consegue prestar atenção e quer colocar seus ouvidos no mudo. Era isso que eu fiz. Queria colocar as idéias em ordem. Como podia ser meu aniversário e dia das mães ao mesmo tempo. Não tinha essa possibilidade.

Definitivamente tinha aberto meus olhos no lugar errado e provavelmente na hora errada. No dia anterior eu estava na minha casa, na minha cama, com minha família, com meus objetos, com minhas dúvidas, com os problemas que eu sabia resolver, com as indagações que eu saberia desfazer. E lá não, estava tudo fora de ordem. Eu estava com o lúpus em atividade, aliás, mal sabia o que eu tinha naquele momento.

Os meus dias eram comuns. Nada de interessante, mas eram os meus e eu os queriam de volta. Era uma universitária cheia de sonhos, uma menina com vontade de viver e uma mulher com sede de vida. Um desmanche de hormônios, quem sabe pelo auge da idade.

Um dia antes eu levantei e achei tudo chato demais. Estava aquele típico clima abafado, e nenhum banho gelado resolveria. Fazia estágio voluntário na Universidade e também curso de inglês. Aquele dia era pra eu fazer tudo, comparecer aos dois, mas fiquei ausente.

Era uma pessoa de pouco papo, e, talvez, era essa a melhor solução. Não tem como explicar, não existe palavras para descrever como é a sensação de saber que algo irá acontecer com e você não saber a intensidade disso, mas saber que pode acontecer alguma coisa. Uma vez li do poeta Manoel de Barros, "Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições." E nesse dia talvez sua fonte fosse eu.

Eu resolvi que não iria fazer nada. Mas, havia uma sensação muito estranha em meu corpo que me fez me tomar banho para ir ao estágio. No entanto, essa mesma sensação não deixou ir. Em um dos sites de rede social eu postei a seguinte frase: “Acordei com a sensação que hoje vai acontecer algo de estranho, não sei se é pra bom ou ruim! #tensa! Mesmo assim estou feliz #otimista!”. Estava lançada a minha sorte.

2 comentários:

Maay Wiideer disse...

Você me deixa sem palavras com as coisas que escreve. É emocionante ver a força que você tem, e a maneira que leva a vida. Com certeza é um exemplo para muitas pessoas. Acho que todo mundo deveria ter a oportunidade de ler seu blog, quem sabe assim, elas começariam a dar mais valor na vida! Quando publicar seu livro, não se esqueça de mim. Faço questão de ler e passar para outras pessoas. Fica com Deus... Beijo da ‘Dinda’ rs

Aryana Lobo disse...

Eu fico toda boba quando alguém lê meus textos, sério! Eu não tenho noção das pessoas que visitam meu blog, e deixar comentários me fazem bem! :) Obrigada! E estou longe de ter essa força toda, quem me dera hehehe.. Isso quem transmite e quem da base é Deus! :) E ebaaa, meu livro terá várias pessoas para ler! Fico feliz!!! =) Obrigadaaa! :D E volte sempre!!!